Local: Centro de Cultura e Formação Cristã
Endereço: Br 316, Km 06, Ananindeua - Pará
Contatos: Aline Miranda - jornalista (8124-6866) Glenda Abud - relações-públicas (9989-6861)
A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater- Pará) promoverá, de 3 a 5 de junho, em Ananindeua, o II Seminário Estadual de Agroecologia. Trezentos trabalhadores e trabalhadoras rurais, representantes de todas as instituições públicas do setor e profissionais da área estarão presentes. A ação do Governo do Estado do Pará tem parceria com o Governo Federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
O evento é a oportunidade para instituições públicas, pesquisadores, universidades, movimentos sociais e agricultores familiares discutirem a Agroecologia em todos os seus aspectos: agronômico, pedagógico, social e histórico.
A Agroecologia é a ciência que se fundamenta no pensamento de que toda produção tem que superar a lógica capitalista e se nortear pelo respeito ao meio ambiente, às pessoas, às minorias, ao trabalho justo, à igualdade racial e de gêneros, à segurança alimentar e à economia solidária. Dela são premissas: a agricultura orgânica, a extinção dos trabalhos escravo e infantil, a educação no campo e a valorização da mulher.
Tal modelo de desenvolvimento sustentável surgiu no Brasil na década de 80, em contraposição à Revolução Verde, cujo auge, na década de 70, propagandeou o uso massivo de venenos na produção agrícola, acreditando que só o plantio em larga escala abasteceria a fome da humanidade. As práticas da Revolução Verde não têm preocupações ambientais, nem sociais: almeja-se somente o máximo de produtividade e lucro possíveis. A renda continua concentrada; os povos camponeses, empobrecidos; e os alimentos, bonitos mas perigosos.
Hoje, entende-se que o Brasil, aí bem incluído o Pará, passa por um processo de transição agroecológica, em que desenvolvimento sustentável, preservação da natureza e inclusão social ainda vêm se formulando como políticas públicas e assuntos de interesse da sociedade geral.
O Pará, contudo, tem papel especial nesse processo. De dimensões continentais e recursos naturais ímpares, o estado enfrenta agora tentativas de solucionar os seus graves conflitos ambientais e agrários.
Operações policiais contra madeireiras ilegais, investigação de assassinatos de líderes sindicais rurais, julgamentos de latifundiários supostos criminosos, divulgação de índices assustadores de desmatamento coincidem, ainda, com relatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), liberado no início do mês de maio de 2008: o documento aponta que mais de 40% das frutas e legumes habitualmente consumidos pelos brasileiros são infestados de agrotóxicos, em limites residuais muito além dos permitidos pela legislação do país.
Alguns dos produtos com maior contaminação são a alface e o tomate – ingredientes básicos da salada de todos os dias da mesa dos paraenses. O problema se agrava quando se pensa que justamente aquilo que o consumidor acredita ser o mais saudável na sua alimentação cotidiana é um caminho lento para doenças e morte.
O II Seminário Estadual de Agroecologia acontecerá, pois, como mais um canal em que fatos, reivindicações e soluções serão debatidos em nível de Estado, sociedade e movimentos do campo. Haverá palestras, oficinas, apresentações culturais e grupos de trabalho. Questões como assistência técnica, crédito rural, licenciamento ambiental, justiça social, capacitação, sociobiodiversidade, mercados e cidadania são algumas das pautas.
Um pesquisador de renome nacional, o engenheiro agrônomo gaúcho José Antônio Costabeber, ministrará a palestra de abertura, no dia 3 de junho, às 11h. O tema é “Princípios e Fundamentos da Agroecologia no Processo de Transição para o Desenvolvimento Sustentável”.
Serviço: II Seminário Estadual de Agroecologia, promovido pela Emater – Pará.
De 3 a 5 de junho, de 8h às 19h, no Centro de Cultura e Formação Cristã, em Ananindeua.