Terça-Feira, 6 de Janeiro de 2009
 
Notícias
02/12/2008
Procampo realiza reunião de avaliação de vivência estudantil camponesa

Um grande encontro promovido pelo Programa de Vivência Estudantil-Camponesa (Procampo) reuniu representantes de diversos órgãos do governo do Pará, estudantes de graduação participantes da primeira e da segunda etapa do Programa, assim como moradores do assentamento de reforma agrária João Batista II, em Castanhal, no último sábado (29). O grupo debateu ponto a ponto o Diagnóstico das Condições Sócio-Econômicas do Assentamento, construído pelos universitários que atualmente participam do Programa de Pós-vivência do Procampo e que fizeram parte do período de vivência no João Batista II, no último mês de julho.

Integrar estudantes das mais diversas áreas das universidades públicas do Estado e comunidades que praticam agricultura familiar, como assentamentos de reforma agrária e comunidades tradicionais da Amazônia. Essa é a finalidade do Procampo. O diagnóstico, portanto, é o resultado inicial desse trabalho de integração em busca de melhorias para estas comunidades, onde os estudantes são agentes multiplicadores importantes, não só no âmbito universitário.

O documento reúne informações sobre diversos aspectos do assentamento, incluindo questões sobre produção, saúde, educação, cultura e meio ambiente, além de um breve histórico do assentamento. O documento ainda será complementado com informações dos próprios assentados, caracterizando-se, desta forma, como um diagnóstico participativo. "A nossa aposta no Procampo é que esses universitários que participam do programa e foram responsáveis pela elaboração desse diagnóstico possam se tornar profissionais com formação técnica, pessoal e humana para trabalhar com a população do campo", comentou Anderson Serra, coordenador do Programa Campo Cidadão, do governo do Pará.

A falta de profissionais habilitados para lidar com as problemáticas dos camponeses que praticam agricultura familiar é uma das questões que o Procampo pretende ajudar a resolver. O diagnóstico preparado pelos estudantes servirá de fonte de informação para elaboração e ajustamento de políticas para estas populações. Os universitários têm a oportunidade de aliar a técnica à vivência, a partir do contato com as reais necessidades das comunidades.

Para Fernando Santiago, agricultor do assentamento João Batista II e militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a apresentação do diagnóstico e a presença dos estudantes e das entidades do governo no assentamento "aumenta a credibilidade do Programa e a confiança que as famílias assentadas têm de que o Procampo pode trazer melhorias na produção, na saúde, na educação...".

Os moradores o assentamento puderam ainda debater com os representantes das secretarias diversos problemas apontados no diagnóstico, e ouvir quais os possíveis caminhos para que as questões sejam resolvidas. Os participantes do encontro assistiram também a uma apresentação teatral dos alunos que ingressaram na segunda etapa do Procampo neste segundo semestre de 2008. Os novos participantes vivenciarão o dia-a-dia do assentamento no próximo mês de janeiro.

Procampo - O João Batista II foi ocupado em 15 novembro de 1998, quando cerca de 850 famílias acamparam no lugar. Depois de muita luta, em 2001 a área foi desapropriada para reforma agrária e os moradores foram assentados no local, onde antes existia uma fazenda abandonada. No assentamento, que fica a cerca de 20 km do centro de Castanhal, mais de 120 famílias praticam a agricultura familiar. O local foi o primeiro contato de alunos do Procampo com uma comunidade assentada participante do programa.

O Procampo é um programa do governo do Pará, desenvolvido em parceria com movimentos sociais do campo e da cidade, professores das universidades e outras entidades da sociedade civil. Na sua primeira edição, o programa reuniu 120 estudantes, que dividiram-se entre Castanhal e Abaetetuba. Além dos dois municípios, a segunda edição selecionou 360 universitários para trocarem experiências em áreas de assentamento rural de Belém e de Moju.

Os estudantes que participam do Procampo são oriundos das universidades Federal do Pará (UFPA), Estadual do Pará (Uepa) e Federal Rural da Amazônia (Ufra). Não só estudantes do campus de Belém, mas também dos campi de Castanhal, Abaetetuba, Moju e Cametá.

Participaram do encontro em Castanhal representantes das secretarias de Educação (Seduc), de Saúde Pública (Sespa), de Meio Ambiente (Sema), de Governo (Segov), de Pesca e Aquicultura (Sepaq), da Secretaria de Estado de DesenvolvimentoSocial (Sedes), da Fundação de Telecomunicações do Pará (Funtelpa), da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater/PA), UFPA, Uepa e Ufra.


Por Luciane Fiuza / Secom e Jones Santos / Procampo/Segov

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