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PochmanIDESP e IPEA: parceria para desenvolvimento social e econômico do Pará O ciclo de debates “Diálogos sobre Desenvolvimento”, que ocorrerá no próximo dia 5, será marcado por um passo importante na qualificação das pesquisas sobre o Pará e a Região Norte do País: a assinatura de um termo de compromisso entre o Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (IDESP) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). As duas instituições, que fornecem subsídios técnicos para o planejamento de políticas públicas terão atuação ainda mais próxima.

Sobre essa parceria, o presidente do IPEA, Marcio Pochmann, faz suas considerações em entrevista. Confira a íntegra:

1. A Região Norte do País possui visibilidade internacional, pela complexidade de cenários e riqueza da biodiversidade. O que representa para o IPEA a instalação de uma representação em Belém?

Para a nossa instituição, instalar um escritório na Região Norte é um passo importante, considerando o Brasil de dimensão continental, e com dinâmicas sociais e econômicas que surgem numa velocidade espantosa no meio da sociedade. Uma decisão administrativa desta natureza aproxima o IPEA dos fatos sociais, e das políticas públicas implementadas no âmbito regional.

A nossa convicção da necessidade de descentralizar o IPEA foi sacramentada quando o presidente Lula, em setembro de 2009, instigou a direção do IPEA a se instalar nas demais regiões do País. Nesta oportunidade, destacou a relevante posição estratégica da Região Norte do Brasil. Nosso instituto de pesquisa reconhece nos institutos de pesquisas regionais, como o IDESP, que desenvolve um excelente trabalho e gera conhecimentos locais, que nós precisamos estar mais conectados. Estamos chegando para somar, colaborar e aprender com esses institutos.

2. Com o convênio, o IDESP ganhará com contribuição técnica do IPEA. O senhor pode falar um pouco mais sobre como será essa parceria?

Ao longo dos 45 anos de existência do IPEA é natural que tenhamos acumulado experiências e conhecimentos nos temas: formulação, avaliação, monitoração e planejamento da política pública. Nossa disposição é de transferir esses conhecimentos, e a nossa expectativa também é de aprender com o IDESP. Estamos confiantes e otimistas com o convênio firmado com o IDESP, sabemos do valor intelectual e da determinação das pessoas que aqui estão. Nosso objetivo comum é contribuir com o desenvolvimento social e econômico do Pará e da região Norte do Brasil.

3. O IPEA, assim como o IDESP, fornece suporte técnico e institucional às ações governamentais, para a formulação e reformulação de políticas públicas. Qual a importância desse subsídio para a atuação dos gestores públicos?

A decisão final de qual será o rumo da política pública é do gestor público. Mas os institutos de estudos e pesquisas formulam subsídios que contribuem com essa tomada de decisão. Como nosso papel institucional enquanto veículo de geração é a disseminação de conhecimentos, podemos olhar para um período do tempo mais adiante, ou seja, para o médio e longo prazo. O gestor público trabalha com um horizonte mais curto, por força do seu dever de atender a demanda social no tempo presente. Nosso papel é colaborar com novas idéias, geração de banco de dados, análises e estudos comparativos, para que o gestor público possa formular, planejar, avaliar e reformular a política pública, com maior amparo técnico. O gestor público responsável e atento a sua tarefa não abre mão das nossas contribuições.

4. Como o senhor avalia o desempenho da economia do Norte brasileiro nos últimos anos?

Na Região Norte, assim como em todo o País, se apresenta uma melhora real no desempenho da economia, nos últimos anos. Um ciclo de crescimento virtuoso. Temos ainda muito que avançar para atender a demanda social e se igualar aos países mais avançados do mundo. A Região Norte do Brasil é responsável pelo aumento de nossa exportação extrativista - setor primário - mas essa situação não pode permanecer. A Região Norte deve ampliar sua atuação para os setores secundários e terciários da atividade econômica. E, para ocorrer esta diversificação e ampliação das atividades econômicas, o IPEA e o IDESP poderão contribuir de forma relevante.

5. A Região Norte foi responsável por pouco mais de 4% dos empregos formais gerados no ano passado. Como o senhor avalia o cenário do emprego assalariado regional, e que mudanças na economia poderiam aumentar as ofertas de trabalho?

O mundo do trabalho tanto na Região Norte como no mundo, passa por profunda mudança. No aspecto salarial, o enfrentamento da crise financeira internacional demonstrou que o salário mínimo com maior poder de compra, gera aumento real da economia e riqueza para toda sociedade.

A região Norte deve preparar seus trabalhadores para essas mudanças no mundo do trabalho. Aqui o Estado ganha papel importante de antecipar e ajudar à sociedade a enfrentar estas mudanças em curso. Mas que mudanças são estas? Basicamente o fim do trabalho heterônomo. Hoje, a maior parte da geração de riqueza é no setor terciário - na sociedade pós-industrial. As questões que temos que reconhecer: 1) o núcleo dinâmico da economia moderna é a propriedade imaterial; trabalho fora do local do trabalho - trabalho de concepção qualquer horário e local - é a riqueza não esta sendo repartida e sem regulação. Num PIB mundial de 48 trilhões - as fontes imateriais geram uma riqueza de 200 trilhões.

O papel do Estado deve entrar neste campo através da articulação e formulação de políticas públicas que façam diminuir a desigualdade. Dar um sentido a discussão é dar rumo - para acabar com a pobreza não devemos matar os pobres - responsabilidade solidária é pensar o futuro e se constrói a partir do que fizermos hoje.

MARCIO POCHMANN

Economista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com especialização em ciências políticas e em relações do trabalho. É doutor em economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Docente da Unicamp desde 1995, Pochmann é professor livre docente licenciado na área de economia social e do trabalho e também pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp desde 1989. Foi diretor-executivo do centro entre 1997 e 1998. Também já foi consultor do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e de organismos multilaterais das Nações Unidas, como a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Foi ainda secretário municipal do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade de São Paulo entre 2001 e 2004. Já escreveu e organizou mais de 30 livros, entre eles A Década dos Mitos, vencedor do Prêmio Jabuti na área de economia em 2002, e a série Atlas da Exclusão no Brasil.

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