O Estado do Pará vive perspectivas extraordinárias de desenvolvimento. Nem
na época da construção da Transamazônica e da hidrelétrica de Tucuruí se
investiu tanto aqui em infra-estrutura, energia e saneamento. Nos próximos
três anos, o governo federal destinará mais de R$ 10 bilhões, que vão
concretizar reivindicações históricas do Estado, como o asfaltamento da
BR-163 e a conclusão das duas eclusas de Tucuruí. Também será ampliado o
porto de Vila do Conde e construída a hidrovia do Tocantins nos trechos que
ligam Marabá a Tucuruí e Tucuruí ao Porto de Vila do Conde.
O setor privado também vai investir de forma inédita: só a Vale planeja
aplicar mais de US$ 20 bilhões até 2012.
Infra-estrutura, estradas, energia, instalação de novos empreendimentos:
estes itens é que conformam a chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF),
que influencia as taxas de crescimento de um Estado ou país. Os
investimentos previstos projetam um crescimento de 8% já em 2008 e de 8,5%
até 2010, final do governo de Ana Júlia Carepa (PT) no Pará.
Outro fator extraordináro é que estas condições acontecem no momento em que
se induz no Estado um novo modelo de desenvolvimento, em que todas as ações
(governamentais, de empresas, sindicatos, organizações não-governamentais)
se articulam entre si, ganhando força, identificando gargalos e soluções.
Estas articulações começam na nova estrutura governamental, em que as
secretarias e órgãos são agrupados por área, potencializando ações isoladas
e evitando ações similares ou repetidas.
Esta articulação se estende de forma direta à indução do novo modelo: o
Estado atua como um grande articulador de ações, promovendo o que chamamos
de arranjos institucionais, como a estruturação de ambientes em que se
reúnem os agentes das diversas cadeias produtivas para se identificar
dificuldades, fazer reivindicações, sugerir políticas públicas e apontar
medidas para potencializar as respectivas cadeias.
Um exemplo de arranjo institucional é o Fórum Paraense de Competitividade
(FPC), instituído em 2007 e instalado em fevereiro passado. O FPC reúne
empresários, sindicatos, secretarias de governo, instituições de fomento
(Banpará, Basa, Sudam, BNDES), entre outros representantes dos diversos
setores sociais, com o fim de tornar mais competitiva não apenas uma
empresa, mas uma cadeia produtiva, uma região, o Estado como um todo: não
uma competitividade "individual", mas sistêmica.
Em outros países, os recursos naturais foram explorados até a extinção e
contribuíram para a riqueza de povos e regiões. Na Amazônia, o desafio é
explorar sem destruir: desenvolvimento sustentável.
Esse desafio só poderá ser vencido com informação, com pesquisa, com
inovação.
A estruturação de um Sistema Paraense de Inovação é outra tarefa necessária
para que o crescimento econômico seja enraizado socialmente. Para tanto é
necessário ampliar a capacidade regional de mediar os avanços mundiais em
termos de ciência e tecnologia com as necessidades regionais. É requerido
que se aproximem as instituições regionais de pesquisa com os empreendedores
que atuam no nosso Estado para que sejam incorporadas inovações aos
processos produtivos.
Assim, ciência, tecnologia e inovação devem articular-se mediadas por
arranjos institucionais impulsionados pelo governo, que criam as condições
para se eliminar gargalos e promover inovações tecnológicas. No âmbito do
governo, o fomento às pesquisas será dirigido, focando-as em vocações e
necessidades. O governo já iniciou a construção de três parques de ciência e
tecnologia (em Belém, Marabá e Santarém), que vão reunir governo do Estado,
empresas e instituições de pesquisa para descobrir soluções econômicas em
áreas estratégicas. Um exemplo são os cinco laboratórios que estão
garantidos para o Parque de Ciência e Tecnologia do Guamá, em Belém: de
Engenharia Biológica (um dos mais modernos do mundo), de Fitossanidade e
Manejo Animal, de Óleos Vegetais e Derivados, Laboratório de Instrumentação
para Produtos Agroindustriais e de Tecnologias da Informação e Comunicação
em Sistemas Embarcados.
Estes laboratórios vão potencializar pesquisas já avançadas, sobre gargalos
econômicos como a cadeia envolvendo diversos óleos vegetais, e também
iniciar novas, contribuindo inclusive para eliminar outro gargalo da
economia paraense: a certificação de produtos, como os derivados de açaí e
cupuaçu.
A indução de um novo paradigma de desenvolvimento demanda tempo e temos
consciência de que este não pode ser um projeto apenas do governo, mas de
toda a sociedade e da região como um todo, e mais: um projeto não apenas da
Amazônia, mas da sociedade brasileira.
Nunca as condições foram tão favoráveis, e nunca vivemos tamanhas
possibilidades de mudanças: até porque a todas essas articulações de fatores
extraordinários soma-se uma pressão insuportável: não dá mais para o mundo
relegar a Amazônia a segundo plano.
Maurílio de Abreu Monteiro
Doutor em Desenvolvimento Regional e
Secretário estadual de Desenvolvimento,
Ciência e Tecnologia