22/06/2011
A tradição dos Pássaros e bichos juninos movimenta o Centur
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Da Redação
Agência Pará de Notícias

Até esta sexta-feira (24), o Arraial de Todos os Santos, evento junino do Governo do Estado do Pará, dá espaço à tradição cultural mais paraense da quadra junina: o Pássaro Junino, além das apresentações dos cordões de pássaros e bichos. Serão sete grupos de pássaros e 11 cordões de pássaros e bichos, de diversas partes do Pará, a se apresentarem no Teatro Margarida Schivasappa, sempre das 17h30 até as 22h. A programação é organizada pela Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves e tem entrada franca. 

Nesta quarta-feira (22), o Rouxinal (Pedreira) é a atração do dia. Na quinta (23), o Uirapuru (Umarizal) e o Tem-Tem (Guamá) se apresentam no Teatro. No último dia, sexta-feira (24), os pássaros juninos Tucano (Telégrafo) e o Sabiá (Canudos) são os grupos participantes da mostra.

Já nos cordões de pássaros e bichos, Colibri, Ararajuba, Tem-Tem e Leão Dourado são as atrações desta quarta-feira (22). Na quinta-feira (23), Bem-te-vi, Curupira e Pequeno Guará serão os cordões da vez. Encerrando as apresentações, o cordão de pássaro Tangará e o cordão de bicho Jaquinha comandam a mostra na sexta-feira (24).

Pássaro Junino ou Melodrama-Fantasia é um tipo de brincadeira popular tipicamente paraense, que ocorre principalmente no período das festividades de São João. Os Pássaros Juninos seriam uma espécie de ramificação ou desenvolvimento posterior dos Cordões de Bichos, dos quais se tem registros de apresentações no estado do Pará desde o século XIX. Os Pássaros Juninos são também chamados de Melodrama-Fantasia porque nessa brincadeira ou teatro popular são encenadas histórias com fortes características melodramáticas: conflitos familiares, traições, dramas amorosos, vinganças, entre outras.

Além do drama há também a parte cômica da brincadeira, além de momentos de canto e dança. Vale lembrar que toda a encenação é feita com músicas, quando possível, tocadas ao vivo por uma banda que acompanha o grupo. Os personagens encenados nas peças são diversos: nobres (como princesas, príncipes, marquesas e marqueses, condes e condessas, entre outros), índios, feiticeiras e matutos. As roupas que cada personagem usa em cena conseguem transportar o público para outra época, tão notável a riqueza em detalhes.

Tradição e dedicação

A tradição do pássaro junino é presente em algumas famílias, onde a guarda do pássaro é repassada de pai para filho, como no caso de Wanderlene Rodrigues, que herdou do pai, o compositor de samba-enredo Wanderley Rodrigues, a missão de gerenciar o Pássaro Rouxinol, do Bairro da Pedreira. “É muita responsabilidade”, diz ela, ainda não acostumada ao ritmo da nova função. Esse é o primeiro ano da nova guardiã do grupo.

Wanderlene participa do grupo desde os 10 anos de idade, quando começou a atuar como porta-pássaro. “Eu sempre estive perto do Pássaro Junino; via aquela movimentação na minha casa e gostava”, diz a moça. O Rouxinol foi criado por sua bisavó, depois passado para o pai, mas este ano corria o risco de não mais sair às ruas. “Meu pai já está cansado, por isso o grupo talvez nem saísse. Eu mesma estou achando tudo muito ‘puxado’, mas se Deus quiser vou tocar pra frente”.

Já Carlos Alberto recebeu o Pássaro Uirapuru há 11 anos, das mãos do amigo Jorge “Tico-Tico”. “Fiz da minha casa um ateliê, e hoje estamos construindo um barracão para a comunidade”, conta. Assim como muitos outros guardiões e integrantes de Pássaros Juninos e Cordões de Bichos, ele mantém uma relação de amor com o grupo. “É como o amor pelos pais: não acaba nunca”. A guardiã do pássaro Tucano, desde a década de 80, Iracema Oliveira, explica que são chamados de guardiões os proprietários da razão social dos pássaros: "guardião porque o pássaro é da natureza, não tem dono", argumenta Iracema. Os guardiões são responsáveis por toda atividade do grupo, desde a arrecadação de recursos para a confecção dos vestuários até a coordenação de ensaios e apresentações.

Serviço: A apresentação de grupos de pássaros e cordões de pássaros e bichos vai até esta sexta-feira (24), a partir das 17h30, no Teatro Margarida Schivasappa (andar térreo do Centur). A entrada é franca.  Contato: 3202-4391

 

Texto:
Hélio Granado - FCPTN
Fone: (91) 3202 - 4391  / (91) 8241-9421
Email:  heliogranado08@gmail.com

Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves
Avenida Gentil Bittencourt, 650. Belém-PA. CEP: 66035-340
Fone: (91) 3202-4350/4349
Site: www.fcptn.pa.gov.br Email: presidencia@fcptn.pa.gov.br
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