Consagrado nacionalmente por sua poesia, Max Martins guardava precioso tesouro em seus diários pessoais. Registros da cultura da cidade, conversas com intelectuais, o passo a passo da construção de suas poesias, além de ser um retrato em imagens das profundezas de sua intimidade. De inestimável contribuição à literatura e às artes gráficas, o "Diário de Max Martins” será lançado nesta quarta, às 20h30, no estande da Secult.
Os diários de Max são repletos de colagens, rasgos, desenhos e fotografias. Para alcançar uma edição à altura de seu relicário, a Secult pesquisou a fundo a ferramenta mais adequada para que a publicação não fosse uma mera reprodução, mas uma réplica fidedigna de seu original. “Utilizamos o fac-símile para que ficasse idêntico ao diário original. O livro está fiel aos rasgos e até ao furo do cigarro na página e o desenho com as cinzas. É uma honra para a Secult poder dividir com a sociedade a obra desse gênio”, conta a diretora de cultura da Secult, Patrícia Guilhon. “A importância e valor dessa arte é imensurável”, completa.
Hoje com 81 anos e algumas debilidades, segundo a família, Max ficou grato e entusiasmado pela edição de seus diários. “Estamos muito felizes e orgulhosos. É o reconhecimento de muitos anos de luta dele para escrever e trabalhar ao mesmo tempo para poder sustentar a família e fazer o que mais amava. É mais uma vitória, pois já se havia tentado editar os diários dele antes, mas nunca se conseguiu”, conta a filha, Graça Martins.
Max Martins cedeu seus mais de 80 diários para que possam ser reproduzidos e partilhados com o público. Futuras publicações ainda não têm previsão, mas esta primeira terá distribuição às bibliotecas públicas para que alcance o maior número de pessoas e sensibilize leitores para a importante figura do poeta paraense e sua obra.
Max é o primeiro escritor que recebe benefícios por ter exercido, por mais de 30 anos, a poesia. Fundador da Casa da Linguagem, da Fundação Curro Velho, o poeta foi patrono da IV Feira Pan-Amazônica do Livro, em 1999.