Apresentação

A América Latina é hoje no cenário mundial o espaço geo-político em que se desenrolam as propostas políticas mais inovadoras, onde as forças populares têm mostrado seu poder, mediante a eleição de novos governantes que representam movimentos sociais organizados e onde a democracia busca novas formas de expressão e ação.

Neste continente, se forja, a cada dia, uma consciência coletiva da necessidade de se construir alternativas ao atual modelo de globalização. Com a convicção de que a indigência não pode ser uma fatalidade a que os pobres do mundo estão condenados, mas sim um pecado original a ser redimido.

Percebe-se também uma crescente busca do fortalecimento da Cooperação Sul-Sul, através da interlocução constante entre governantes da região, o intercâmbio de experiências e avanços recíprocos, a criação de novos espaços e mecanismos de cooperação puramente endógenos, a realização de projetos comuns. Tudo com o objetivo de superar as interferências impostas de fora, em um esforço concreto para a construção de uma soberania real dos povos e das nações. Uma soberania que signifique a inclusão e a participação de todos.

A destruição acelerada e patente dos recursos naturais do planeta, com os riscos óbvios que isto acarreta a toda a humanidade, e a obrigação de preservar o meio-ambiente, que passa necessariamente pela implementação de políticas de desenvolvimento sustentável, fazem da América Latina uma área estratégica para todo o planeta. Principalmente, quando sabemos que aqui se encontra a maior zona de biodiversidade do mundo, a Amazônia, compartilhada por oito Estados latino-americanos.

Essas são as razões para a realização do Colóquio Internacional “O Futuro da Democracia: Movimentos Sociais, Movimentos Políticos”. Um debate internacional que se situa entre os grandes eventos preparatórios para o Fórum Social Mundial, que também acontecerá em Belém, em janeiro de 2009.