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Biografia

Ana Júlia de Vasconcelos Carepa nasceu em Belém do Pará em 23 de Dezembro de 1957, filha do Engenheiro Civil, Arthur Sampaio Carepa e de Maria José de Vasconcelos Carepa, sendo única mulher entre sete filhos. Foi atleta de natação, disputando inúmeros campeonatos pelo Clube do Remo. É arquiteta, formada pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e bancária concursada do Banco do Brasil desde 1983.

Ana Júlia Cerepa começou sua militância política, participando da Comunidade de Base do Jurunas (COBAJUR). Participou também da luta pela reconstrução do Centro Acadêmico Livre de Arquitetura da UFPA e, em 1980, foi eleita sua primeira presidente. O trabalho de Ana a frente do Centro Acadêmico de Arquitetura teve papel importante na reorganização do curso e para a elaboração de um novo currículo. Ainda como estudante elaborou, juntamente com outros colegas, propostas para edificação de habitação popular através de mutirão. Trabalho que inclusive foi premiado pelo Banco Nacional da Habitação (BNH). Já formada arquiteta, Ana Júlia Carepa continuou colaborando com a organização dos movimentos sociais. Participou da "Campanha pelo Direito de Morar", movimento que gerou a fundação da Comissão dos Bairros de Belém (CBB) e no Movimento das Mulheres do Campo e da Cidade.
Nos anos oitenta Ana Júlia Carepa iniciou sua militância sindical. Bancária concursada do Banco do Brasil, passou a atuar no Movimento de Oposição Bancária (MOP). Um movimento que, no Pará, fortaleceu a Central Única dos Trabalhadores (CUT). Um marco importante deste período da trajetória da líder sindical foi a grande greve dos bancários em 1989 encabeçada pelo MOB. Dois anos após, Ana Júlia Carepa foi eleita representante dos funcionários do Banco do Brasil no Conselho Nacional do Banco. Nesta época iniciou sua militância política no Partido dos Trabalhadores.

Em 1992 foi eleita vereadora em Belém, a mais votada pelo Partido dos Trabalhadores (PT). A vereadora defendia a melhoria das condições de vida dos trabalhadores apresentando projetos para a melhoria do transporte público urbano e de outra dezena de questões ligadas ao desenvolvimento do bem estar dos trabalhadores e da garantia dos direitos básicos de cidadania. Criou o Conselho da Condição Feminina (CMCF).

Em 1994 mais uma vez o PT disputava os rumos da condução do Brasil apresentando a candidatura de Lula para presidência. Era época do plano real, a população ainda não havia sentido o quanto elevado era o custo social daquele plano. O promotor do Real, o ministro Fernando Henrique Cardoso, era o candidato a presidente das elites, e elegeu-se ainda no primeiro turno. O PT teve um grande desempenho eleitoral e elegeu diversos deputados federais, um deles foi Ana Júlia Carepa.

Esse foi um período marcado pela ofensiva contra direitos históricos dos trabalhadores. Assim, em sua atuação parlamentar, teve destaque sua participação na comissão especial que discutiu a quebra do monopólio das telecomunicações, a luta pela manutenção do controle público de áreas estratégicas como petróleo e as comunicações e a defesa dos bancos públicos. Na defesa de conquistas populares ganhou repercussão nacional a firmeza com a qual se opôs ao parecer da reforma da previdência que tentava restringir direitos como a licença maternidade.
Como Deputada Federal foi ainda uma das responsáveis pela campanha "Mulher sem medo do poder", que garantiu o estabelecimento de cotas mínimas de candidatas mulheres para todos os partidos. Sua atuação também garantiu verbas do orçamento da União para reconstrução da Praça Princesa Izabel, da construção do Albergue da Mulher, entre outros benefícios para o Estado do Pará.

No ano de 1996, Edmilson Rodrigues e Ana Júlia Carepa disputaram as eleições municipais pela Frente Belém Popular. Uma união de esquerda que pôs fim a sucessivas administrações municipais conservadoras. Em 1997 renunciou ao mandato de Deputada Federal para assumir a vice-prefeitura de Belém. Passando a atuar como vice-prefeita e Secretária Municipal de Urbanismo, participou decisivamente na implantação dos programas do governo municipal.

Em 1998, as esquerdas uniram-se em torno da candidatura Lula-Brizola. No Pará uma frente de partidos de esquerda indicou Ana Júlia Carepa como candidata ao senado. Conquistou mais de meio milhão de votos mas não chegaria ao Senado da República ainda desta vez. Em 2000, foi eleita a vereadora mais votada na história do Pará (foram 26.729 votos). Em mais um mandato promoveu discussões e apoiou manifestações de movimentos populares da sociedade civil.

Em 2002 volta a concorrer ao Senado para fazer valer a vontade popular, expressa nas eleições de 98. Ana Júlia foi eleita assim não só a primeira mulher a representar o Pará no senado, mas também, a mais votada em toda história com mais de um milhão de votos. Como senadora, Ana Júlia Carepa apostou no fortalecimento dos empreendedores locais para impulsionar o desenvolvimento regional e o fortalecimento dos bancos públicos.

Em 2006 foi eleita a primeira governadora mulher do Estado do Pará em uma eleição histórica.

 

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